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Saturday, 23 September 2017

SINOS REZADOS

Sinos clamando
Palavras de amor,
Sinos quebrando,
Chorando de dor

Flores de metal
Mentiras de mel
Linguas do mal
Badalam fel

Sinos que chamam
Bocas amargas
Vozes travadas
Malvadas, mentiras de amor

Ouvi tua voz
Sino sonoro
Chamando por mim
Rezei que tu fosses
O fim e a cura
Dessa procura
Pela loucura
Achado de ternura
Verdadeiro amor

Flores de metal
Feridas com sal
Lingua bossal
Beijo brutal

Sinos proclamam
O fim do amor
Com vozes roucas
Palavras loucas, rasgadas de dor

Sinos rezando,
Desejos profanos
Sinos cantando
Em tons de pranto, desgostos de amor


MC

Thursday, 21 September 2017

PUNHOS DE RENDA

Punhos de renda
Para que a dor não ofenda
Coração de mulher

Levanta a mão
Atira-a para o chão
Ajoelha-se: "Perdão"

Enquanto ele grita,
Ela hesita,
Receia e agita
Asas para voar

Mas comovida
Por aquele pranto
Deixa-se enganar
Acaba por ficar

Já a mãe lhe diz
Torcendo o nariz
Ao seu lamentar:
Minha filha acredita,
Pior essa dor maldita
Do que não ter amor.

Punhos de renda
Para que a dor não ofenda
Para não marcar

Rosto tão lindo
Dadiva do Divino
Sua mulher, seu par

Ele tem desdém
Não permite quem
Os queira separar

Homem de bém
Só é alguém
Mestre do seu lar

Punhos de renda
Para que a dor não ofenda
Para não chorar

Ela não fala,
Quem consente cala,
Não pode reclamar

Punhos de renda
Flores escarlates de amor,
Salpicos de horror

A vizinha grita
"Silencio, olha a fita...
Parem de bulhar."

Punhos de renda,
Morta com uma venda
De sangue no olhar

Negro luto, tanta dor
Diz o povo sem pudor
"Quem poderia sonhar..."


Manuela Cardiga

Wednesday, 20 September 2017



FADO SEM PUDOR

Naquela noite quente
Seguia eu em frente
Por aquela ruela
Com a roupa desfeita
Depois do amor

Seguia eu um homem
Sem nome, e sem rosto
Com gosto a suor

Vivia eu essa vida
Nessa senda vazia
De prazer sem Amor

Passava nessa viela
Que o povo enfeita
Com rendas e com flores

Ao longe se ouvia
Vozes em harmonia
Guitarra que fremia
De desejo, e de dor

Teus dedos corriam
Caricia pericia
Ardilosa malicia
Que me fez estremecer

Foi assim que te vi
Assim te senti
Querer sem pudor

Tocas-te-me a alma
Arrancas-te ás cordas
Do meu coração,

Meu corpo a guitarra
Desgarrada rasgada
Leviana canção

Tocas-te-me a alma
Destruiste-me a calma
Acordei para a Paixão

Manuela Cardiga

Tuesday, 19 September 2017

A MENINA MORTA

Com os olhos velados de lágrimas
E as faces queimadas
Do sal dessa dor

Tropecei na calçada
Fiquei ali sentada
Pranteando o amor

Não penses que choro
O fim do namoro
O fim de nós dois

Choro a verdade
Que achava tão linda
E descubri depois

Vivia a mentira
Com tanta alegria
Que a queria real

Mas essa magia
Era fantasia
Que eu invetei

Se me vês aqui sentada
Nessa calçada
Sapatos na mão

Os olhos inchados
Labios rasgados
De gritos de dor

Não penses que choro
O fim do namoro
O fim de nós dois

Choro a pobre menina
Que tanto te queria
Que tanto sonhou

Não penses que choro
O fim do namoro
O fim de nós dois

Choro aquela menina
Que nesta agonia
Renasceu mulher

Manuela Cardiga
NÃO ME DESDENHES

Sei que tens na tua vida
Mulheres mais belas, mais garridas,
Sem as marcas e as feridas
Dos malogros do Amor

Sei que tens na tua vida
Mulheres mais jovens, e mais ricas
Sem os medos, e os karmas
Das tragédias e da dor

Mas não me desdenhes,
Deixa que te acompanhe
Pois o que tenho para te dar
É sincero, e é raro...

Vi-te nessa viela,
Que é o trilho do desgosto
Que me assombra o rosto
E desfigura o coração

Vi um sorriso claro e limpo,
Olhar terno sem ardil,
Sem o véu de feitos impios
A toldar tua visão

Eu com o meu corpo já gasto
P´r esse caminho nefasto
De descrenças e desastres
Desta vida, fado vil

Vi nesse teu rosto tão lindo
Anjo suave, voz gentil
A prometida salvação

Ai não me desdenhes,
Deixa que te acompanhe
Pois o que tenho para te dar
É sincero, e é raro:
É o Amor.

Sei que tens na tua vida
Já traçado um caminho
Que não passa pelo meu

Sei que tens na tua vida
A promessa de alegria
Sem tristeza, mar de mel

Mas não me desdenhes,
Nesta breve encruzilhada
Deixa-me ser a tua amada,
Dá-me um sorvo do teu Céu

Mas não me desdenhes,
Nesta breve encruzilhada
Abre os braços e recebe
O Amor que Deus nos deu..


Manuela Cardiga
LIFE-HACKS: PEDICURE AS A CURE FOR THE COMMON HEART-BREAK

"There are holes,
holes, holes on me!"
Cried the toe-nail
Seeking therapy

The shoe-shrink
tapped a speculative
heel and frowned
"You need to keep
to solid ground!"

"You take things
Much too seriously.
You feel too much,
Hold on too tight
Grind into the
Fabric of life."

"How else can we live
But with intensity?"
Cried the distraught nail
Under its disguising veil
Of varnish glitter-glamour.

"Do as the heel does:
Play the fool, choose
A low-slung mule,
Avoid stilettos
Or any semblance
Of sharp wit
Or embracing affection
For the lamentably
Frail or short-lived
Sock, stocking
Or prosaic panty-hose."

"Think of the nose,
Who rather than
The erstwhile lace
Silk and linen hanky,
Now blows at
What will cause
It no distress to
Dispose."

"I...I cannot live like that!"
I can't! I need that tight
Embrace, that kiss
Of fate and faith!"

The shrink shoe curled
A derisive upper lip
and stroked at its
Elegant laces
"Well the, my dear,
Keep yourself trimmed;
Your emotions blunt,
And be bare
As much as you dare."


MC

Monday, 18 September 2017

Strange. So many always stand in line at my door to get comfort, kindness, support, a helping hand... Yet, when once in a life-time my world cracks and sways, my heart breaks and my pain brays unlovely sounds, and there is absolutely no-one around.

MC